Embuído do Espírito de Natal

Hohoho! É aquela época do ano em que as promessas são renovadas, tudo fica mais festivo e as listas aparecem! Ah, as listas... Sim, leitora, faça uma visita aos blogs dos seus outros amigos, e veja em quais deles há listas e quais deles simplesmente não são atualizados com tanta freqüência assim. (e, se o leitor não tiver amigos, uma rápida distribuição de cliques nos links relacionados ali ao lado fará o papel)

Bom, como nós não queremos ficar de fora da festa, trago aqui uma lista, gentil e descaradamente roubada de Lexie Grey, personagem de Grey's Anatomy (a.k.a. Greici). Então, aproveitando a época do ano, e contribuindo para com o espírito natalino, apresento uma lista de cinco coisas sobre mim que, espero, torne um pouco mais difícil para você me odiar:

5 - Eu sei coisas.

Que coisas?, vocês se perguntarão, Não sei, só sei que eu sei, responderei. Quando eu era menor, pra espantar o tédio eu lia. E entre minhas leituras se incluiam trechos randômicos do dicionário, verbetes escolhidos ao acaso de enciclopédias e os capítulos do livro didático que não seriam estudados. (enquanto houve livro didático, eu fiz isso, na verdade. Foi assim que eu descobri, por exemplo, que a massa varia conforme a velocidade, mas a gente não nota porque se move a velocidades muito inferiores a dez por cento da velocidade da luz) Então, andar comigo é como ter um livro dos curiosos acionado por eventos inesperados soltos no caos que é o universo. E, além do mais, quando você tiver alguma dúvida sobre algo não muito usual, é uma mão na roda ter alguém como eu por perto.

4 - Eu não tenho frescura pra comer.

Juro, nenhuma. Aliás, eu tenho tão pouca frescura pra comer que estou considerando abrir uma entrada aqui no blog só para falar disso. Eu já fui vegetariano -- coisa que, atualmente, eu considero uma das maiores frescuras existentes -- e quando caí em mim, eu simplesmente percebi que nada pode ser tão ruim a ponto de você nunca querer comer, e se você não conhece, pelo menos experimente. A vantagem disso? Ora, que eu dou muito pouco trabalho, então as chances de eu ser uma visita chata caem drasticamente. E você pode me levar pra comer em qualquer lugar e pedir qualquer coisa. Nada de ficar separando as metades da pizza "A meia de brócolis tem ser junto com a meia de muçarela, porque fulaninho é vegan e se vir na mesma caixa em que de calabreza ou a de frango ele não come".

3 - Eu sou igual na internet e no resto do mundo;

Mas é muito difícil de perceber logo de cara, porque na internet o silêncio não aparece. Quando um ponto me interessa, quando eu tenho argumentos, eu sou essa mistura ultra verborrágica de Machado de Assis, Super Mario Bros e São Bernardo do Campo. Mas a maior parte do tempo, e em quase todas as conversas, eu fico quieto, observando, fazendo uma tiradinha aqui e outra ali. E, online, quando a gente está em silêncio pensando, para os outros é como se a gente não estivesse. Então, quem me conhece primeiro online e depois pessoalmente, assusta ou estranha um pouco. Mas eu sou igualzinho.

2 - Eu sou um dos melhores conselheiros ever.

Coisas do coração? Problemas com namorado? Não sabe como lidar com algo? Então venha a mim e eu lhe iluminarei. E nada daquela bobagem "mas se vocês se amam mesmo, vão superar as dificuldades... Se tem que acontecer, acontecerá". Nem uma gotinha. Não, meus conselhos podem incluir alternativas menos ortodoxas, previsões corretíssimas do que vai acontecer, cinismo e ceticismo. Segue uma mui resumida lista do que meus amigos já ouviram:

- Chifre nele;
- Sai fora enquanto é tempo, porque é maluca;
- Desconverta-se, você é inteligente demais pra ter religião;
- Pra isso servem o álcool e demais drogas;
- Xinga, manda tomar no cu, isso não é hora de ligar.

Tem muito mais, e nada disso foi em tom de brincadeira ou ironia. Eu realmente sugeri tudo isso aí em cima.

1 - Eu tenho um abraço muito gostoso.

Se nada disso adiantou, e eu ainda sou um objeto muito óbvio de se odiar, então eu convido aos leitores recolherem pessoalmente os seus abraços. Por alguns segundos, o universo faz algum sentido. Eu sou uma pessoa muito carinhosa no fim das contas: digo oi e tchau com beijos, abraços e alegria sincera, quase que indiscriminadamente a rapazes e garotas, salvo quando alguém não gosta muito de contato. Mas eu tenho um abraço, praquelas horas que só cabe um abraço... ah!, esse é mais raro, não é todo mundo que experimentou, mas quem já sentiu o gostinho, não troca por quase nada.

Basicamente é isso, amável leitor e caríssima leitora. Aí em cima falta dizer que eu amaldiçôo, mas nós sabemos que eu oprimi boa parte das minhas poucas características odiáveis. Para exercer um pouco de justiça, amaldiçôo os meus leitores a repetirem o exercício em seus blogs, fotologs, profiles e congêneres. Sim, todos vocês. Os sete, sem desculpas.

E, se o ano correr bem, ano que vem uma lista de porque todos vocês devem me presentear!

Aconteceu com um amigo, juro

Não saberia dizer eu -- e você me conhece, leitora. Se uma coisa se pode dizer sobre mim é que eu sei. E eu sei muito, portanto, sim, é de se espantar -- sobre exatamente o que é a postagem de hoje. Poder-se-ia dizer que é sobre o esculacho geral que é a nação. Poder-se-ia, com igual acuidade, dizer que é sobre a burocracia inútil, excessiva e tragicômica. Também se poderia dizer que é só um postar sobre a rotina. Deixo que cada leitor se decida sobre o que leu, apenas relato:

Segunda que passou fui atrás de por em dia meu exame médico, em ordem de finalmente trocar minha permissão de dirigir por uma carteira permanente. Conste que acho e sempre achei ridículo: quem tem a permissão e não pratica tem 100% de chances de conseguir a habilitação; aqueles que se atrevem a praticar, e deveriam ter mais excusas de errar, justamente porque é (ou deveria ser) seu primeiro ano a dirigir, correm o risco de tomar no tobinha; é mais fácil um motorista experiente e responsável tomar um castiguinho fraco que um iniciante perder de vez a carteira e ter que recomeçar todo o processo. Enfim, nunca me interessei por dirigir, logo consegui facilmente minha licença. E para que ela fosse parar em minhas mãos, conforme dito assima, bastava atualizar meu exame médico.

A leitora, deve saber ou imaginar que eu, rato de letras que sou, deveria usar óculos. Informei isso ao dotô quando fiz o primeiro exame, tem muito tempo, e qual não foi minha surpresa quandp ele disse que melhor era mesmo passar sem me preocupar, caso um dia esquecesse eu os óculos em casa, se parado não seria importunado. Naqueles tempos, em que eu ainda me preocupava em usar óculos, achei estranhíssimo. Afinal de contas, carro pô! Como disse uma vez meu sapientíssimo amigo Diego, o ovo, uma tonelada de metal, engrenagens complicadas, líqüido explosivo guiado por um cara gritando nervoso. Coisa boa, já não é.

O leitor deve saber que, além de já não usar óculos regularmente, por conta e estupidez próprias, o autor deste relato está ficando velho. Então, quando meti os olhos nalgo que me lembrava muito uma máquina de escrever mui antiga, mas sem o mesmo charme, tudo que pude pensar foi "Agora fodeu", porque depois da terceira rodada, as letras começaram a ficar muito pequeninas. Mais que pequeninas, pequeninhas. Eu não conseguia ler!!! Para o meu espanto, o médico começou a me ajudar. "S, L, B" dizia ele, e "Podecrer! S, L, B, Q, A", continuava eu. O ponto alto da tarde foi quando um flash me quase arrancou os olhos, e um P capital, negrito, large surgiu ao apagar das luzes. Talvez eu estivesse confuso pelo flash, mas juro que eu ouvi o oculista me ajudando. Com certeza, a primeira vez que falei p não foi tão alta assim.

Por fim, amarelo, verde, vermelho, e até parabéns eu ganhei. Faltou só um pirulito e ser chamado de campeão. Imediatamente levei o resultado até a auto-escola, e sexta-feira, segunda que vem no mais tardar, serei um cidadão habilitado. Alguém aceita carona?

As menores ofensas que pode sofrer um homem

Os leitores menos distraídos devem ter percebido que eu não voltava a este espaço tem algum tempo. Bom, meu dever é pedir desculpas a vocês, caros leitores, pelo fato de os privar por tão demasiado tempo de minha agradabilíssima companhia. Começou tudo com uma viagem às longínquas terras do Rio de Janeiro; local, aliás, onde ocorreram diversas aventuras dignas de nota, e que logo menos serão arnoldamente contadas a vocês -- não que eu lhes deva mais satisfações que um simples pedido de desculpas, mas considerem que hoje eu estou gentil. Enfim, divago demais, como sempre. Dirijo-me ao assunto de hoje que ganhamos todos mais. Como deve lembrar o leitor atentíssimo e a leitora ávida, havia eu prometido na postagem anterior uma lista das acusações injustas que os meus detratores -- e os há muito, Deus me perdoe -- lançam sobre mim. Bom, segue um top 6, número que não falta nem excede, mas não é o clássico, das mais interessantese. Sugiro que os leitores que também mantêm blogs pessoais repitam o exercício; eu me diverti muito fazendo o levantamento (mas, por outro lado, e coisa que meus inimigos não sabem, eu me divirto à toa), e, tudo o que eu quero para as minhas leitoras, é que elas se divirtam tanto quanto eu. Afinal, eu também espero que vocês tenham sentido tanto a minha falta quanto eu senti a sua. E ai de vocês em cujo coração faltar esta reciprocidade.

Posição 6 - Eu sou polêmico à toa.


O leitor que me conhece deste e de outros carnavais sabe que eu não fujo de um bom debate, e tanto melhor quanto mais polêmico for a assunto a ser debatido. Calma desavisado leitor, esta ainda é uma lista de acusações injustas: alguns de meus oponentes, não acostumados com o confronto de idéias, geralmente porque mal sabem o que é uma idéia, conceitual e empiricamente, não percebem que enquanto houver um argumento pífio, eu resistirei. Claro, para quem não sabe o que é um argumento, eu não sou diferente de uma sirene de ambulânica. Para eles, se eu fosse uma música, meu verso principal seria "enfia essa buceta no cu".

Posição 5 - Eu sou 110% sarcástico.


Não mentiremos um ao outro, minha douta leitora: se minhas linhas são sexys e agradabilíssimas, muito se deve à arte da ironia, que eu manuseio relativamente bem. E, é claro, os arroubos de sarcasmo, que me permito ali e acolá. O problema, além de os meus detratores freqüentemente confundirem um e outro, é que de tão abalados pelo estilo torto da minha pena, tudo vira motivo de desconfiança, e me encontro em situação tal que, não importa o que eu diga, até informar o horário é lido como se entre os números houvesse infinitas camadas de sentido, todas além da mais superficial fazendo pouco da capacidade de entendimento do ouvinte. Esquecem-se eles que também sei fazer uso da acusação direta, e que uma de minhas frases prediletas é "mas você é um analfabeto funcional mesmo".

Posição 4 - Eu persigo.


As duas acusações anteriores, apesar de injustas, ainda tinham um algo, mesmo que distante e retorcido, de verdadeiro. O terreno agora fica confuso, e tudo o que eu posso fazer é conjecturar. Como já atesta a sabedoria popular, largar hábitos é muito difícil, ainda mais hábitos arraigados (eu estava pensando no famoso provérbio "cão velho não aprende truque novo"). Talvez, por estar eu sempre a combater os sofismas e os nem isso (não adianta, repetição seguida de número entre colchetes não é argumento), e serem pouco criativos os meus adversários, acabo por esbarrar mais vezes contra as mesmas pessoas. Ora, tomar um pau uma vez dói demais, dois, com socos e pontapés nos mesmos lugares, só pode ser bully.

Posição 3 - Eu manipulo a mente das minhas companhias.


Quem sofre mais com essa acusação são as minhas amizades, visto que eu só posso sofrer com a injustiça dupla dela. Mas parece que depois que alguém começa a andar comigo, em nenhuma contenda que meu acompanhante se meta é por culpa ou mérito dele. Sou eu que torno as pessoas belicosas, sou eu que jogo amigo contra amigo, sou eu quem faz a cabeça num nível em que o Planet Hemp jamais sonhou. Cá entre nós, leitora, se meu poder de manipulação fosse mesmo tão grande, eu usaria para fins muito mais nobres (a saber, ver muito mais boobies, e nenhuma de vocês estaria a salvo).

Posição 2 - Eu sou politicamente correto.



Sim, isso que você está pensando foi a mesma coisa que eu pensei a primeira vez que aconteceu... "Hã, mas que porra é essa?". Sim, como alguém desbocado, sarcástico, perseguidor e polêmico é politicamente correto? Eu ainda estou tentando entender, mas a única conclusão que eu cheguei até agora foi o seguinte silogismo:

Premissa maior: Politicamente correto é chato;

Premissa menor: Emil é chato;
Conclusão: Emil é politicamente correto.

Enfim, pau na minha testa.

Posição 1 - Eu sou bobalhão.


Sim, leitora versada na arte de ofender. A incapacidade de pensar em qualquer outro adjetivo é anos-luz mais ofensiva que bobalhão. Eu não estando presente, eu não devendo nem supostamente ler a ofensa, e tudo o que eu ganho é bobalhão. Mas enfim, poderia ser pior: o autor do xingamento poderia ser ele mesmo aqueles fã-boys de série de gosto bem duvidoso -- aquelas sem nem a desculpa de ter algo de inteligente pra salvar, tipo 007 -- daqueles que se fantasiam e tiram foto com arma igual a do herói na mão, e ainda usam de avatar, e bem a sério.

Da velhice que se aproxima

Estava eu a pensar em qual seria a próxima entrada neste espaço, para o meu e o seu deleite, caro leitor, enquanto não tão tranqüilamente raspava a minha barba. Naquele momento, divagava eu livremente sobre o próximo assunto, que interessantissimamente se mantém, neste momento em que escrevo, e quem sabe no momento em que você lê, a depender de quão freqüentemente seu interesse por este espaço aflora, o próximo assunto (a saber, uma lista das vilanias de que injustamente me acusam meus orkúticos detratores), quando, buscando um ângulo mais adequado para equilibrar a iluminação adequada da área a ser barbeada, a tenacidade desejada da pele sob os pelos a serem decepados e o reflexo no espelho para que a falta de visão não resultasse em cortes desnecessários e dolorosos, devido justamente ao novo ângulo de visão, noto que acabo de ganhar mais uma característica.

Soma-se a lista de desagrados, que já incluía barriga se protuberando, cabelos nascendo no dedão da mão direita, acentuação da assimetria, gases mais freqüentes, sonoros e odorosos, unhas do pés tortas, sistema digestório facilmente desgastável e estressável, velocidade de reação menor e sono mais frqüente, pelos na orelha. Sim, cara leitora, enfeio-me a medida que envelheço, e não fosse por si só tal situação patética, envelheço em direção ao ridículo. Cabelos na orelha! Pêlos, ortografia antiga para combinar com a antigüidade que, contra minha vontade, meu corpo corre para alcançar.

Ah, nada de serenidade, nada de experiência, nada de sabedoria. Sinto-me pulando do momento logo anterior ao esplendor da juventude para a rabugice casmurra da velhice que antecede o amargo partir, sem aproveitar os sumos mais doces que a vida oferece. Enfim, passo do "ops, foi um pouco rápido, desculpe" direto para o "Meu pau não sobe mais; como que pode uma porra dessas, Bátima?"

Mais nerdice

Eu admito que a última entrada foi um pouco injusta, e de efetividade muito baixa, uma vez que meu público é composto muitomaismente por leitoras que por leitores, e embora jogasse alguma luz sobre prováveis parceiros que porventura minhas queridas leitoras escolhessem, não se conectava de maneira nenhuma com aquelas que não estão interessadas neste assunto no momento, seja porque não têm ou não querem namorados, seja porque não precisavam de teste pra saber o nível de nerdice dele. Mais cruelmente ainda, a postagem anterior apenas despertava algumas curiosidades mas não respondia a nenhuma, já que eu só escolhi brinquedos de menino. "Seria eu também uma nerd ou apenas cdf? Será que passei minha adolescência sendo uma coisa, quando poderia também ter sido outra?", estão se perguntando minhas ignoradas leitoras até agora.

Não sabendo ainda exatamente a quais brinquedos as meninas-nerds se dedicavam, eu escolhi um joguinho, de nome La Brute, mais novo e neutro, que pode agradar tanto mocinhos quanto mocinhas, e ajudar a revelar o seu nível de nerdice oculto. Sem mais delongas, vamos a mais uma série de testes:

Teste 1, nerdice nível 5:

O jogo é baseado em níveis de experiência -- quanto maior o nível, mais opções seu bonequinho ganha. Além disso, há três características principais: Force, Agilité e Rapidité, mais Pontos de Vida.


Interessou? Basta acessar http://sparagmos.labrute.fr e criar o seu personagem.

Teste 2, nerdice nível 4:

Tudo o que você tem a fazer, então, é colocar o seu personagem para enfrentar os personagens dos outros jogadores. Fora isso, você não precisa fazer mais nada, as lutas são geradas automaticamente. Se você gostar do jogo, basta acessar a internet uma vez por dia e em cinco minutos você resolve tudo e está livre. Perfeito pra quem ainda quer ser nerd, mas o tempo e a energia necessários precisam ser empregados naquelas coisas que atrapalham a vida, como trabalho ou estudo.


Agora interessou? http://sparagmos.labrute.fr

Teste 3, ogrice nível 4, nerdice nível 3:

Você pode ganhar habilidades e armas bem legais. Super-rapidez, pele reforçada, redinha pra fazer combo, espadas, clavas, lanças, bastão bo, e ontem eu juro! Eu vi um personagem nível 2 usar um cutelo que dá 42 de dano!
Quem sabe você consegue um: http://sparagmos.labrute.fr



Teste 4, nerdice nível 3, meninice nível 4:

OK, enquanto os bobões ficavam encantados com as armas e habilidades, você reparou no verdadeiro charme do jogo, não foi? Ele é todo em francês! E não em qualquer francês, mas em um francês fofo e com onomatopéias! E uma das graças é escolher um nome pseudo-francês pra você! Sério, já tem o Le Sartorato, o Madrouge, o Macaronn, a Joanette... Clica lá e faz o seu também!
http://sparagmos.labrute.fr

Teste 5, menince nível 5:

Se nada disso tocou o seu coração, eu só posso dizer uma coisa: olha que cachorrinho fofo!!

Enfim, leitor. Se você não sentiu a menor vontade de clicar no link nenhuma vez, nem por mera curiosidade, você não é nerd e você não é menina. Então muito provavelmente você também não está lendo este blog, porque não existe possibilidade de você ter encontrado este espaço -- você não me conhece, você não tem interesse pelos temas e é impossível que o Google o tenha trazido até aqui -- o que torna o final deste parágrafo inútil e desnecessário. Mas minha leitora há de me perdoar, pois eu precisava de uma conclusão.

Teste secreto, nerdice nível 6:
Ok, você já conhece La Brute, já sacou o que eu estou tentando fazer e ficou com um misto de raiva e inveja por não pensar nisso antes de mim. Mas ei, é melhor que trapacear e ficar criando um monte de bonequinhos que ninguém vai usar, certo? Além do mais, você me conhece bem, porque lembrou de selecionar o fim da postagem pra ver se eu não escrevi alguma coisa em branco, como eu faço às vezes. Meio paranóico, hu?
No começo do ano eu havia confessado algo que poderia ser estranho ao meu leitor, dada a minha escrita envolvente e minha sagacidade aguda. A confissão que faço agora, entretanto, não deve ser surpresa a nenhuma das minhas leitoras: eu sou muito nerd. Mas só esta semana eu tive pista do tamanho real da nerdice, e é tanta que merece repetição com caixa alta de caps lock, negrito e cor diferenciada: MUITO nerd. Como este também, embora mal-e-má, se pretende um espaço de utilidade pública, posto a seguir um guia rápido para a leitora descobrir se o nível de nerdice do seu namorado periga atingir níveis preocupantes:

a) Assim como quem não quer nada, sugira que ele baixe um jogo hentai das antigas, como Cobra Mission ou True Love. Bom, se ele souber o que é hentai, há alguma chance dele ser nerd (e de ter a palma da mão cabeluda, como diria o populacho). Ele vai baixar e descobrir que, nesses jogos antigos, você precisa realmente jogar antes de ver alguma putaria. Se ele continuar jogando pra chegar até as cenas eróticas, então ele é nerd, porque vamos combinar: todo esse trabalho quando nós sabemos para que realmente serve a grande rede? ("Se tirássemos toda a pornografia da internet restaria um único site, e o endereço seria bringbacktheporn.com", Dr. Perry Cox) Agora, se ele continuar jogando, e fizer comentários sobre como o sistema de jogo é interessante, como a inteligência artificial funciona, como os gráficos são bons para um jogo de 95, enfim, se ele se interessar por qualquer outra coisa diversa do real motivo do jogo existir, então ele é muito nerd.

b) Mostre para ele o vídeo do moço que hackeou a ROM de Chrono Trigger para pedir a namorada em casamento:

(tipo este)

Se ele sabe o que é ROM, ou Chrono Trigger, ou que é possível hackear ROMs; sabe o que são sprites, e que prováveis sprites e programas ele usou pra montar aquela fase extra, então ele é nerd. Se em vez dos ous, a frase com e se encaixa na descrição dele, ele é muito nerd, e você nem precisa cumprir a última parte do teste. Se você não acredita em mim, leitora, vá em frente e termine, agindo mesmo contra o fato de eu nunca lhe ter dado conselho ruim. Enfim, mostre o vídeo para ele, e se a reação for emoção pelo ato romântico, pois bem, ele é nerd. Se a reação for emoção porque o midi é realmente bonito, meu deus, Chrono Trigger realmente tinha uma trilha fantásica. Eu avisei, muito nerd.

c) Faça-o ouvir as seguintes duas versões de One Winged Angel: original e orquestrada. (você as pode encontrar aqui durante os próximos trinta dias). Se ele murmurar alguma(s) da(s) seguinte(s) opções: Sephiroth (pode ser que ele pronuncie sefirós ou sefiróti), último chefe, super nova, knights of the round, Nobuo Uematsu... pode anotar, ele é nerd. Se ele disser que gosta mais da original, seja lá qual o motivo, MUITO nerd, para além de qualquer reparação.

Desnecesário dizer que caso você aplique o teste e ele nem saiba do que se trata nada de nenhum dos assuntos, ele não é nerd. A má notícia é que provavelmente você está namorando uma anta, cara leitora, mas os filhos-de-puta-burros são assunto para outras postagens. Esta é dedicada àquelas sofredoras cujo namorado recebeu o carimbo nerd com louvor e honras, classificado como muito nerd em a, b e c. Chore, minha cara confidente, chore que você precisa, embora seja um choro inútil. Nem o se o seu choro cobrisse os vinte e cinco por cento de terra seca que nos são reservados, e avançasse para cobrir os oceanos; nem isso seria capaz de curar a nerdice do seu parceiro. Sim, ele atingiu aquele estado crítico em que tudo o que acontece ao redor é automaticamente traduzido em dados e planilhas de Vampiro: A Máscara. (porque d20 e GURPS são bons, mas Storyteller é o que dá melhor conta de ações sociais)

Neste caso, só há um algo a se fazer: por favor, peça para ele entrar em contato comigo, porque eu me afastarei do meu grupo de RPG durante os próximo meses, e seria uma pena que uma campanha tão boa terminasse antes do fim por causa de falta de jogadores. (E é bom que ele saiba mestrar, porque nós temos um sistema de revezamento)

Informe

Caros leitores,

Venho por meio desta informar que o windows messenger (sem live) é um filho de uma quenga, e merece passar a eternidade chupando rola suja de traveco.

Grato pela vossa atenção, sempre seu

Emil.

Como lidar com imbecis -- algumas dicas úteis

Hoje, cara leitora, voltamos à programação regular deste blog: reciclar bobagens que eu escrevi por aí enquanto brigava com um zé mané qualquer. Pois é justamente essa a vantagem de se ter um blog: os zé manés quaisquer podem não captar o meu delicioso estilo, mas com o meu seletíssimo público raramente o dispêndio de energia é inútil. Segue, então, uma mui bem elaborada e utilíssima lista de conselhos para aqueles que almejam, um dia, dominar a arte de ofender em tantos níveis da linguagem quanto a escrita internética oferece:

Por vezes muito mais vezes do que gostaria, neste mundão velho sem porteira que é a internet, você esbarrará com acéfalos desocupados. O botão "apagar" estará sempra a sua disposição, mas às vezes o energúmeno em questão simplesmente não parará de spammear sua página. Ora, é muito simples: justamente para isso existe o botão ignorar. Entretanto, mais vale não usar o botão, e deixar claro que isto seria um favor, um ato de bondade, algo que o pouparia de um pouco de humilhação. Não, deixe-o saber que sua página continua aberta, e que você está esperando a resposta.

Deixe claro também que não importa o quão ridículas são as coisas que vocês faz. Aliás, vale aqui o uso da fórmula "para esta discussão, admitiremos que tudo o que eu faço é ridículo". É um excelente recurso para acabar com a mínima importância que o infeliz se dê. Ver alguém que, por exemplo, considera blogs perda de tempo, caçar blogs, descobrir seus donos, ir até o orkut e sujar suas páginas de scrap está tantos níveis abaixo da perda de tempo simples e regular que nenhuma língua no mundo -- acredito eu -- tem palavra para classificar tamanho emprego de energia em tão inútil contenda. Ainda podemos, entretanto, definir a condição de quem executa a façanha, e eu gosto muito do termo "cropocefalia crônica".

Enfim, após um texto relativamente longo -- para os padrões do orkut, claro -- que tem como função mostrar que o alvo nunca escreverá tão bem quanto você e servir de base para sua lista de impropérios (que também podem reunir as funções de humilhar, ofender e obrigar tais megatérios a consultarem a wikipedia), faça-o entender que, para ele, é impossível acompanhar o seu texto, e portanto, num ato de piedade, você deixará uma imagem, um desenho, pra que ele realmente possa entender, sem ter que fazer força, o quanto todos nós nos importamos com a opinião dele:

Do interesse amoroso

Ai, ai... discutia eu esta semana sobre a possibilidade/impossibilidade da amizade entre pessoas que têm interesse romântico uma pela outra e por qualquer motivo não podem chegar às vias de fato. Devo confessar que muito recentemente eu mudei minha opinião sobre o assunto, e para que a leitora que me conhece há pouco tempo entenda o porquê, faz-se necessário que eu recue um pouco no tempo (ah, a escrita! Os físicos gastam suas vidas pensando nos paradoxos gerados pela viagem temporal, sonham com a possibilidade de um dia, ah, talvez um dia... mal sabem eles que ela já exista há sete mil anos, e atende pelo nome de escrita... mas divago) e conte que e como nem sempre fui esta combinação quase irrestível de charme e sensualidade (e sim, naqueles tempos eu ainda achava que modéstia era virtude; muita coisa mudou desde então, e eu só tenho a agradecer -- a mim mesmo, que me fiz abrir os olhos). Enfim, ao leitor que me conhece desde os tempos em que podíamos nos chamarmos mutuamente de ouvintes, e éramos leitores principalmente de Claremont, McFarlane, Bagley e Serpieri (deste, inconfessos) é aconselhável que pule o próximo parágrafo, salvo tenha nas papas gustativas aquela vontade de nostalgia.

Bom, cara leitora, como eu já lha permiti entrever acima, durante minha adolescência eu fui terrivelmente nerd. Se agora escrevo de maneira tão aprazível, é porque pratico desde então, no mínimo. Sem contar os finais de semana gastos nas mais diversas leituras, fosse alta literatura, fosse a nobre e subestimada arte dos quadrinhos, fosse mesmo revistas dessas que figuram nos consultórios de oftalmologistas. Além, jogador experientíssimo de diversos RPGs e Magic, The Gathering™ (ah, Miragem é que era edição de verdade), aluno terrivelmente aplicado, desses que levantam a mão pra perguntar durante a aula e pedem mais informação sobre o assunto ao final dela. E monitor voluntário do laboratório de biologia pelo simples gosto e prazer. Imagine a leitora que nada disso eu fazia escondido; nem sequer tentava disfarçar. Quantos garotos assim nerd você pegou durante a sua adolescência, cara leitora? Nenhum, é claro. Nossa única esperança era ter um cabelo legal -- cento e treze tranças não é pra qualquer um -- e nas férias viajar para onde nossa fama ainda não nos houvesse alcançado. Enfim, o que eu quero dizer é que durante o Ensino Médio, é impossível usar os miolos para compensar as canelas finas.

Então não era de se espantar que durante essa época eu achasse completamente possível haver amizade entre pessoas que se sentissem atraídas, exatamente porque, e a leitora já deve ter feito as contas, era o máximo que eu podia arranjar. Na tentativa desesperada de não perder inclusive a companhia do objeto de desejo, qual era o modus operandi? Dizer sim ao "nós podemos ser só amigos", passar super bonder no canal lacrimal, fingir que não doía nem um pouco, meter o sorriso na cara e ficar com aquele prazer masoquista de saber que a gente é forte o bastante pra se doer sim e não deixar ninguém perceber (o que é mentira, aliás. Todo mundo percebe, só não comentam contigo).

Enfim, meus dezessete anos acabaram. De repente, nerd is the new tesão, e aí? Bom, tudo o que você, leitor que era nerd -- e continua nerd, mas agora pega geral --, tem que imaginar que são duas pessoas na situação descrita acima, e você lembra como era, não lembra? Se o seu objeto de devoção mandasse, você obedecia, não é? Tudo porque lá no fundo você tinha a esperança de ouvir "Ok, você passou em todos os testes. Abaixe as calças agora". E você sabe que você abaixaria. Bom, imagine assim duas pessoas desesperadas por migalhas de atenção, caçando todas as migalhas que caem, e deixando escapar nas entrelinhas "eu sou seu, por favor, faça o que quiser comigo". Dá merda e morre gente, comandante. Como eu já disse por aí:

Começa com só vou sair junto, vai ter mó galera, não pega nada. E como não pega nada, mas a gente não conversou o suficiente, tudo bem, saímos só nós dois, a gente sabe que não pega nada. E daí, como a gente sabe que não pega nada, ué, passa a se encontrar mesmo em casa, se não pegou nada na rua, em casa também não pega nada. E assistir um filme juntinho, de mãos dadas, pô, eu faço com todas as minhas amigas, não pega nada. Bom, eu não beijo todas as minhas amigas na boca, mas foi só um beijinho, beijinho não pega nada, se ninguém ficar sabendo nem é traição. Transar no sofá é a mesma coisa. E daí que foram duas vezes seguidas? No mesmo dia? Conta como um erro só, né? Seria muito pior se fosse um final de semana todo, se esforçando pra conspuscar todos os cômodos da casa, e quem sabe um ou dois lugares públicos. Por isso eu vou viajar esse final de semana e não chamar ninguém, eu preciso ficar sozinho. O telefone? Imagine, eu ligo pra todas as minhas amigas só pra dar oi, pega nada.

E agora, um pouco de misoginia

Seria aconselhável à leitora deixar a postagem de hoje para lá. Nem se aperceber dela, esperar logo a de depois de amanhã; ou entender que esta não é uma entrada pessoal, é só um desabafo, desses que nós leitoros e escritoros fazemos nas mesas dos botecos sujos que freqüentamos; ou, no máximo, faz parte do meu objetivo de ofender o máximo de pessoas possível, e portanto, é tudo muito genérico e jocoso. Mas uma vez que eu fiz todos os avisos e pedi todas as desculpas, nós sabemos muito bem que as leitoras lerão avidamente até o final, e se amontoarão para deixar comentários furibundos.

Enfim, esta semana eu fiquei sabendo da estória de um amigo (eu sei, deveria ter um link pro blog dele, mas não me culpem, o desgraçado é um deletador profissional de blogs. E não, eu nunca vou te perdoar pelo jamaican water) que, para agradar a namorada, acompanhou-a ao videokê. Você, meu caro leitor, já deve ter feito algo do gênero. Você não gosta do lugar, não gosta do que acontece lá, sabe que não vai se divertir, mas leva a namorada, porque não custa nada fazer um agrado, porque a felicidade dela é mais importante do que tudo, porque... tá bom, parei de zoar. Porque existe a possibilidade de na volta ela o recompensar com um boquete cuidadosa e longamente executado. Sim, minha ingênua leitora que nem deveria estar lendo isso. É só por isso que seu namorado aceita tudo que você propõe: é esta pequena esperança que move a todos nós. Não houvesse, não faríamos nem trinta por cento dos passeios propostos. Agora que a senhora já sabe, por favor aumente o número de recompensa pra muito mais que os míseros três por cento padrão.

Bom, como é de praxe neste tipo de evento, não pode o herói do nosso causo se esquivar de cantar. Já que o estupro era inevitável, ele resolveu que o melhor era gozar, e após um longo exame da lista de possibilidades, encontrou uma canção do Elvis entre as opções. E cantou bem, cantou sem má vontade, e todas as tiazonas do videokê gostaram e aplaudiram. O nosso herói pode se sentar, e esperar para colher os da vitória. Enquanto estava no seu, agora, trono, as recém conquistadas súditas passavam, elogiavam, pediam mais Elvis (aparentemente, ninguém canta as músicas dele nos videokês da vida).

Qual foi a recompensa do garboso cantor? Uma bronca, uma terrível bronca. Afinal, ele não queria ter ido, ele não gostava e não gosta de videoke, o sucesso arrebatador foi claramente uma artimanha para estragar a noite agradável que a nossa heroína passaria.

E isso tudo me faz lembrar das palavras do poeta: Para nós, homens, é impossível ganhar uma discussão quando nós discutimos com nossas mulheres. Nós temos uma necessidade -- e como é toda necessidade, uma fraqueza -- que elas não têm. Nós temos a necessidade de fazer sentido.

The joke was on me

Como a leitora já deve ter ouvido por aí, final de semana que passou eu descobri o sentido da vida. E isso pouco importa, porque ainda assim foi um final de semana de excessos, e acaba de chegar a fatura do cartão de crédito cósmico: eu estou exatamente onde estava na semana passada -- lutando contra uma gripe que voltou porque eu não repousei o suficiente.

O. Sentido. De. TUDO.

E você não volta nem imune à gripe. Gente, é uó.

Prioridades

Eu descobri o sentido da vida este final de semana.

O. Sentido. De. Tudo.

E tudo o que eu consigo pensar é em criar mais um blog, só pra falar disso.

Elogio ao Divino

(porque todo mundo tem pelo menos um nome gay)

Não adianta, caro leitor. Eu já desisti de lutar: Ele é mesmo o assunto da semana. A postagem de hoje, entretanto, quase se encaixa naquele gênero que os nossos avós gregos (há, imagine o tamanho do vitupério se eles soubessem que este negrinho se auto-intitula neto) chamaram de elogio.


Os Seus fãs costumam dizer que ele escreve certo por linhas tortas. Estilística e esteticamente, eu confesso que gosto do ditado; por questões pragmáticas, eu prefiro empregar a forma "ninguém é tão escroto que não possa oferecer nada de bom ao mundo". Moldado a Sua imagem e semelhança, Seu povo é tão Escroto quanto; a mera permissão da continuidade de sua linha de pensamento gera um atraso de mais de mil anos nos direitos humanos e nas liberdades individuais, pelo menos. Mas hoje eu estou feliz, hoje eu dormirei mais tranquilo, porque eu sei que as linhas tortas tirarão votos do DEMO!



clique na foto para compartilhar de meus espanto e alegria

Ele está no meio de nós

O leitor mais atento já deve ter reparado -- não há problema nenhum, leitor menos atento. Eu também não repararia neste tipo de coisa; saudamo-nos!, nós que estamos entre os desligados --, mas se não reparou, dedo-me agora: eu coloquei um serviço de Adsense neste espaço.

Não é necessário se preocupar, cara leitora, pois eu juro solenemente que não colocarei os interesses do capital a frente dos nossos interesses, a saber: o meu é reclamar, falar palavrão e desopilar o fígado; o vosso, passar alguns minutos agradáveis lendo minhas reclamações e demais bobagens. A leitora deve-se lembrar, entretanto, que estes são tempos difíceis, e portanto me perdoar por tentar descolar algum.

Aliás, se a leitora tem um gosto pela doce vingança, pode levantar os cantos do lábio. Porque embora ainda não tenha me rendido sequer um putinho, já me cedeu material para reclamação, logo, material para vossa leitura. Enfim, caros leitores, contemplem a ofensa:


Eita porra!

Sim, meus leitores! Deus é um viado, e um viado à espreita. Ingênuo sou eu, que achei que poderia escrever tudo o que escrevo sobre ele e sair impune, garboso e faceiro. De uma cajadada só, o Senhor derrubou quatro ou cinco coelhos. Primeiro, maculou este lugar com Sua presença, coisa que eu consegui passar seis meses sem fazer. Segundo e terceiro, tirou um sarro de vocês, meus leitores, e ofendeu a mim, vosso escritor. Quarto, nenhum dos meus leitores clicará neste tipo de propaganda, e eu continuarei sem um puto. E cinco, Vossa Onisciência está consciente do fato de eu não saber ficar quieto, de eu não conseguir me controlar, e aqui estou eu, reclamando e usando Seu nome em vão, o que vai fazer com que aumente Sua presença entre as palavras-chave e BUM! Prevejo uma invasão de mais propagandas assim durante a próxima semana.

Misericordioso é o caralho, falaí?


Update


Contribuição dos leitores:


Clique na foto para fazer sentido

A frase a seguir é falsa. A frase anterior é verdadeira.

Não há nada mais mentiroso que aquela frase de efeito que diz que a verdade vos libertará, caros leitores. A única verdade que presta mesmo é essa que eu lhes revalerei agora: só a mentira liberta. A verdade? Não, a verdade exige compromisso, a verdade dá esperança, a verdade amaldiçoa quem a profere. Uma vez que você deixa de omitir, uma vez que você não modifica um fato, uma vez que você não aumenta um ponto, pronto! Experimente, leitora, e você ficará marcada para todo o sempre. Esperar-se-á de você nada mais que a verdade, somente a verdade, com a ajuda de Deus. Convenhamos, é muita responsabilidade e péssima companhia.

É sabido por nós que a verdade fere, magoa, afasta. Ainda assim, nos fizeram acreditar que ela é mais nobre e mais importante, que só com a verdade é que se pode chegar ao pleno viver. Lorota! A verdade é anti-prática; requer muito mais esforço que a mentira, e nem chega perto de oferecer os mesmos resultados. E para quê? Só para aquela soberba de se sentir mais honesto, mais humilde, menos pecador, mais correto. Não, a verdade é a mãe de todos os pecados. E a mentira? A mentira é protetora e acolhedora! Ela impede que os amores acabem e que os amantes se machuquem. Aproxima os amigos e protege as amizades nas horas negras. Ora, porque usar um "não quero te ver agora" quando um "tenho que fazer um negócio" cabe igualmente e é muito menos danoso?

Nós mentimos por prazer, nós apreciamos a mentira pelo deleite estético! As artes? A pintura, a literatura, a escultura, a música... todas as grandes artes, e até o cinema, são desdobramentos da primeira arte, a mentira. Algumas querem enganar mais alguns sentidos que outros, fato, mas a mentira só quer saber da beleza da vida! Tomemos o exemplo da música, leitores! Que é a música senão a arte de mentir os ruídos em notas em ritmos? De transformar o incômodo em aprazível? A verdade, essa maldição, só quer fazer enfeiar.

Ela tem a pretensão de revelar a realidade. Quem precisa disso quando se tem o poder de moldar a realidade? Pense bem, minha douta leitora. Isso a que chamamos realidade é nada mais que a categorização lingüística da nossa percepção, não concorda? Se o mecanismo de categorização muda, muda a realidade -- nem o arco-íris está salvo: ele pode ter sete, seis, duas cores! Por isso Deus abomina a mentira, ela é o meio pelo qual nós utilizamos os dons dos quais Ele prentendia ser único dono -- criar e modificar realidades.

Então mintamos uns aos outros, leitores! Olhemos-nos uns nos olhos dos outros e mintamos, sabendo que o fazemos com cumplicidade e amor. A verdade? Reservaremos aos nossos inimigos!

Abaixo a verdade!

Da ofensa

Você, leitor fiel que acompanha meu blog há tempos, provavelmente reparou que eu não venho escrevendo muito por aqui. Afinal de contas, se você é meu leitor mesmo, provavelmente nós já conversamos sobre isso, porque vamos encarar a realidade: só quem me conhece e fala comigo no msn deve passar por aqui, uma vez que divulgação nunca foi o meu forte. Mas divago, este não é o assunto do post de hoje -- que pode ser o post de hoje, da semana, do mês, e até, do trimestre, a depender da falta de inspiração que me acomete; não repare, ainda divago.

Para chegar ao assunto desta postagem, devo dizer que eu ando enfastiado de internet, principalmente no que tange à interação online depender da minha argumentação. E devo dizer que tudo isso é culpa da terra prometido dos idiotas, energúmenos e analfabetos funcionais, aquele sítio da desgraça cujo nome nós conhecemos por Orkut. O leitor malandro, que já dominou o meu estilo, provavelmente já entendeu que argumentação e idiota de Orkut são termos excludentes, e mais provavelmente nem terminará de ler este parágrafo, porque sabe que eu aconselharei a quem já entendeu o que se passa pular o próximo parágrafo, onde eu explico melhor a situação para quem não está a par dela. Pois bem, é isso mesmo.

Enfim, leitor tolo e esperançoso de encontrar informação relevante neste parágrafo, parece impossível -- eu mesmo nunca havia pensado nesta possibilidade até tempos recentes --, mas é necessário um certo grau de inteligência, perspicácia, experiência, repertório, ou simancol para perceber que um argumento acachapante destruiu sua linha de argumentação e as suas únicas opções são deitar com os quatro membros para cima, oferecendo seu pescoço desprotegido, enquanto esganiça um choro de perdão; ou cometer harakiri. Pois bem, meu leitor. Se você, como eu, adentrou no orkut em seus primórdios, sabe que a interação baseada na escrita simplesmente filtrava o pessoal que não considera esta ferramenta exatamente uma utilidade. Os poucos infelizes que passavam pelo filtro da escrita simplesmente se tornavam figuras folclóricas conhecidas em um ou mais círculos sociais virtuais, e geralmente eram tolerados até a hora que a graça de seu pobre desempenho se esvaía pela repetição das ogrices, quando então o dono (ainda não havia mediadores) excluía o indivíduo da comunidade.

Perdão, meu leitor malandro, o parágrafo anterior não saiu exatamente como eu planejei. É aconselhável que você pule este também. Pois bem, o que acontece, de uns tempos pra cá, é que a interação baseada na escrita não funciona mais como filtro. Um número muito grande de analfabetos funcionais invadiu as comunidades em que eu me divertia exercitando minha capacidade de argumentação em embates retóricos desnecessários e infinitos, e expulsou os membros que se divertiam com essas futilidades como estilo ou sentido. De uma hora para a outra, o insight, a perspicácia, a lábia, a ironia perderam sua força tal qual fosse impossível queimar alguém que não soubesse o que é o fogo. A repetição de um trecho seguida de um número entre colchetes, o vomitório de adjetivos, o senso comum, a auto-afirmação mascarada de indiferença, tudo isso ganhou força pela única vantagem que os idiotas têm e sempre terão sobre nós: a vantagem numérica.

E onde eu quero chegar?, perguntam-se leitor experiente e leitor ingênuo, ambos impacientes -- e com razão, eu diria. Ora, que isto é muito mais ofensivo que "seu lugar é chupando pica suja de traveco". É muita energia gasta organizando o seu texto, escolhendo o vocabulário para o tornar aprazível, são insights criativos que poucos teriam, o texto opositor é tão obviamente cheio de falhas que é por demais ofensivo o uso de qualquer um dos artifícios citados acima. Se tal empenho não merece a vitória numa contenda, merece ao menos que seja derrotado por esforço e ou criatividade pares aos empregados. Portanto, leitor, é mais que compreensível -- além, mais que aconselhável: é imprescindível que você responda com uma ofensa de sua preferência a tal disparate.

Não só pelo dever moral, mas principalmente porque é a única coisa que o interlocutor estapafúrdio -- não se enganem, logo ele será o medíocre da internet, e não nós (para onde nossos ídolos correrão?) -- chega perto de entender. Aliás, infelizmente é preciso dar esta dica: sim, até na ofensa, você precisa tomar o cuidado de o dar a chance de perceber que seu texto é ofensivo. Se você, como eu, leitor, por vezes se esforça para que até a sua escrita superior seja uma ofensa, muito cuidado. Mais vale adicionar um "e, portanto, eu comi aquela velha gorda da sua mãe", para ter certeza de que o objetivo será atingido com sucesso. A graça disso? Você verá os seus debatedores falharem tanto em construir frases tão espertas quanto as suas, quanto em realmente lhe ofenderem.

Mas ajuda ter o botão banir membro a seu favor, pra quando você enjoar.

Teologia

Se não fosse o porco para comermos, não teria Deus colocado bacon nele.

Raiva

Cuidado com os links em que vocês clicam, porra. Eu não agüento mais scrap pedindo pra votar em capa de não sei o que, scrap falando da comunidade do orkuti (é, o link contaminado tá escrito errado, prestatenção, caralho), enfim, esse monte de vírus que vocês me mandam. Então pára de clicar em qualquer porra que te peçam, passa um anti-vírus nessa sua merda de computador, ou, se você não for fazer nada disso, tenha a bondade de apagar os lixos que você me manda ou me deletar da sua lista, já que a gente nem tem se falado mesmo. Grato.

Boquete, né?

E eu aqui, todo inocente, achando que sexo oral era universal. Onde chegou automóvel, chegou boquete, certo?

Pois é, minhas fontes acabam de me desiludir.

Morte ao comunismo!

Separando o joio do trigo

Eu não senti. O Fre não sentiu. O Doo não sentiu. O Felipe não sentiu.

A Quéroul sentiu. A tia Ligia sentiu. A Tia Diná sentiu.

Ovo, você é viado!


Sobrevivendo à faculdade

Em quase seis anos e meio de faculdade (sim, vocês conhecem o ditado -- nice guys finish last), eu finalmente cometi o erro que eu vinha, a todo custo e com muito sucesso, tentando evitar: deixar que aquele professor com quem você não se importa nem um pouco saiba quem você é.

O leitor veterano e malaco pode pular este parágrafo; para o estudante universitário escolado, o que vem agora não é nenhuma novidade. Mas a informação pode auxiliar quem está começando a vida acadêmica e ainda não pensou nisso, ou já pensou mas não tem muita certeza se funciona ou não. Enfim, é essencial que você não seja notado naquela matéria obrigatória mas de pouca importância para o que você planeja, ou naquela aula em que o professor é picareta, ou na maioria das matérias que você faz. Isso te dará mobilidade para cuidar dos seus reais interesses acadêmicos -- você pode matar aula para terminar um trabalho interessante na biblioteca; deixar seu material na sala e ir conversar com aquele professor que pode te orientar numa pesquisa; assinar o nome na lista de presença e ir tomar uma cerveja; voltar pra casa e dormir. Fazendo direitinho, o aluno sai da matéria inútil com 100% de presença e nota acima de 8,0. E, mais importante, com a vida adiantada, já que ele não gastou horas preciosas com matéria inútil. Tudo o que você precisa fazer é não falar, não chegar atrasado, sair discretamente e/ou arranjar alguém pra assinar a lista por você.

Pois bem, o leitor não-ingênuo percebeu como funciona, o leitor ingênuo aprende a lição agora: se tivesse pulado o parágrafo, não teria perdido tempo lendo informação repetida e senso-comum. Se liga, lingüística para a vida: o enunciado que não apresenta informação nova é psicologicamente insuportável.

Enfim, no começo do ano eu não pude conter a minha fúria pseudo-intelectual belicosa contra uma criatura que jurava de pé junto que foi só a partir do modernismo que a poesia deixou de ser sobre o amor, sobre o etéreo, sobre o inatingível. Ora, eu não me agüentei, e mandei ver no vomitório poser name-dropping de toda poesia anterior ao romantismo que não era assim, começando pelos gregos. E é óbvio que não adiantou nada, porque a anta de polainas nem entendeu o que eu estava falando.

Hoje, eu suportei tudo muito dignamente: enquanto rolava um seminário com alguns achismos e um pouco daqueles dados biográficos que a gente usa pra enganar criança quando quer matar um pouco de tempo, eu permaneci em silêncio, cabeça abaixada, cara de concentrado, escrevendo no caderno. (na verdade eu estava desenhando umas caricaturas, mas pra quem vê de fora o efeito é o mesmo, ok?) Quando a aula acabou, eu levantei e me dirigia a porta, quando esbarrei com a professora, que olhou para mim e disse:
- Ah, mas você ficou muito quietinho hoje, você não é assim.

Como assim? Semana passada a aula era no escuro! Assinei a lista e saí correndo. Semana retrasada foi palestra com o Mia Couto, não teve aula oficialmente, ela não me viu. Que memória do caráleo!!!

Conclusão: tomei no cu, fi. Estou obrigado a intervir em todos os seminários, ir às aulas, olhar pra professora e sorrir. O dilema moral é: uso do palavrório-pseudo-humilha-interlocutor, ou das asserções-redundantes-auto-afirmativas (i.e.: Sim, concordo. Aliás, segundo eu ouvi, Aristóteles já morreu, não é verdade, professora?)?

Claro que este é um falso-dilema. A leitora experiente sabe que eu sou incapaz de concordar com o que quer que seja, e havendo discordância, eu piso no calo e bato na orelha.

Teorias Alheias

Sabe aquele pensamento que você gostou tanto que dá raiva de não ter sido você quem pensou?

"Quem come picanha bem-passada é vegan."
Anriques

Tarutchcomeralara

Tá bom, que ontem foi o dia mais engraçado de todos na história do BBB. Que fique claro, leitora: engraçado para mim, que nunca na história desse país tinha me sentido beneficiado pela edição da Globo em porra nenhuma menos ainda nos debates presidenciais. Mas ontem foi di-vi-no, porque quem edita o programa cansou dessa coisa de grupo do bem versus grupo do mal e adotou uma postura política a favor do conflito e do enfrentamento, que pode ser resumida nas seguintes palavras do poeta:

EU QUERO É VER O OCO!

Olha, eu sei que a oitava edição do Big Brother não tem salvação, porque lá dentro só tem bundão. Eu me diverti mesmo foi com a edição descarada a favor do candidato a milionário mais desequilibrado que poderia existir. Queridos leitores, vocês eu não sei, mas eu ri demais. Foi quase um retorno a 89, quando era permitido editar debate de maneira a desfavorecer o seu desafeto político, perguntar pra candidato à presidência se ele curtia um goró e o candidato responder que todo domingo tomava uma pinguinha de cambuci na casa da sogra, perguntar pro candidato ao governo do estado se ele era ateu só pro Maluf ser eleito, entre outros. A diferença é que só o BBB é capaz de fazer a gente vender a alma; além de eu me deliciar com a edição tendenciosa (admitam, é sempre um prazer, até quando é contra você), eu queria justamente aquilo.

Mas o mais hilário de tudo foi que o trabalho maciço da edição foi insuficiente. Imagine, leitor e leitora, que a Globo teve que manipular os números. Teve que mentir descaradamente os números. E, pra não deixar sombra de desconfiança, o Pedro Bial cometeu o melhor dos atos-falhos e deixou escapar o número real. Melhor que isso, só o sorriso pós-coito anunciando que o favorito dele ficava no programa. Deixo pra vocês um compêndio das melhores avacalhadas de ontem:

Bial ejaculando enquanto Marcelo ficava. O voto dele vale 41 milhões.

BIAL: Por isso, quem sai com 23 milhões de votos é o Marcelo, com 165%ops. Com 64 milhões de votos é você, Juliana, com 50% dos votos.

Não, o nome dele é Marcelo. Quem sai é o Marcelo!

BIAL: Juliana, Juliana... Você ainda tem tudo pela frente! Porque por trás, a gente pôs até entupir!

Gente, não! Vocês tão me confundindo! Eu sou a Juliana! Quem sai é o Marcelo!

BIAL: Juliana, fala qualquer coisa aí pro público!
JULIANA: Tipo, é o meu sonho meu, eu não vou desistir, é meu sonho, tipo, eu vou batalhar, tipo, é isso, não acaba aqui.
BIAL: Mal ae, nem ouvi.

Eu confio na edição!

MENINA PASTORA: Não é possível que o Brasil não tá vendo! Eu tenho certeza que a edição do programa é perfeita!


Tremei, mundo!

A postagem de hoje é dedicada aos meus leitores masoquistas.

Assisti há cerca de meia hora o que com certeza os historiadores chamarão de "os minutos mais terríveis da televisão brasileira em todos os tempos". E, como a desgraça faz tudo o que pode para nos acompanhar, isto que os mais sábios entre nós chamarão de prenúncio do apocalipse foi exibido no Multishow, no pay-per-view do Big brother, e muito provavelmente será usado pela edição do programa na Globo nesta terça-feira.



menina pastora louca recebendo revelação direto dos céus


Leitor, tente imaginar uma máquina daquelas de refrigerante em que você coloca uma moedinha, aperta um botão, e voilà! seu refrigerante predileto sai geladinho pela abertura. Agora imagine que a máquina enguiçou, e que com apenas uma moedinha ela começa a tremer e cuspir longe, com força e maciçamente todas as latinhas de refrigerantes que estavam armazenadas. Faça um esforço, leitor, e imagine que a máquina havia sido recarregada completamente há um minuto. Aproveite o exercício de imaginação, e pense que você está lá, sozinho, com todo aquele refrigerante gelado à sua disposição. Por fim, imagine que de repente não é uma máquina de refrigerante, e sim uma máquina com citações dos textos mais cretinos que a humanidade já produziu. Você reconhece uma frase do tio Ben, aquele do Homem-Aranha, passar zunindo pela sua orelha, e se dá conta de que esta é a melhor frase que você vai ouvir nos próximos cinco minutos, e que a torrente chega a quinze frases por segundo!

desentope aí, filha!

Imagine que enquanto você está atônito com a escrabosa situação, uma missa inteira da Bola de Neve Church começa a acontecer em torno. E você só se dá conta quando já é o ápice, todos gritam extasiados, com os braços pra cima. Você desesperadamente tenta correr, mas está cercado, não há escapatória. E, no meio da pregação toda, você percebe que a máquina de citações ainda está funcionando a todo o vapor, e só agora é que ela aproxima de sua máxima produtividade.


tu passa pu cima dacabeça dele e dirreceba sua vitória cheia de tattoos, caram

E então, quando você acha que atingiu o fundo do poço, você percebe que está preso naquele dia, e ele se repetirá muito mais vezes do que você ousaria imaginar.

DIVA

Vamos direto ao assunto. Pra quem ainda não sabia:

- Sim, eu assisto ao Big Brother.

Entretanto, eu devo confessar: faz bem a mim. Não assistir ao programa (assistir reality show não faz bem a ninguém. Aliás, se a pessoa assiste reality show, nada do que ela diz pode ser levado a sério; portanto, para de ler este texto no próximo ponto), mas observar as minhas reações enquanto eu acompanho a televisão e a internet.

Uma coisa que eu já sabia sobre mim é que eu sou preconceituoso e do-contra. Basta que eu ouça três elogios consecutivos a qualquer objeto para que eu instantaneamente comece a procurar seus defeitos. E, vocês sabem, eu não sou muito afeito a provincianismos e interiorismos em geral. Puro preconceito mesmo.

Bom, esta semana eu também percebi que meu ódio a quem adota o r retroflexo como modo de vida queima o fígado mais ou menos como discursos direitosos (hum, assunto para outro post). Bom, antes de continuar, é melhor explicar esse negócio do r retroflexo como modo de vida, porque vai que um lingüista passa por aqui e faça uma leitura que me complique.

Como vocês sabem, é uma característica dos nossos interiores em geral que o r seja pronunciado de maneira que a ponta da língua bata no céu da boca bem lá atrás. E o som sai mais ou menos igual ao r que o pessoal lá de São BeRnaRdo fala em "poRta". Bom, existe uma teoria lingüística que diz que os lugares longe dos centros sociais, políticos e econômicos tendem a desprestigiar inovações no campo da fala. E é por isso que se acredita que o poRtuguês falado aqui no Brasil é mais parecido com o poRtuguês de 1500 do que o português atualmente falado em Portugal.

Enfim, os lugares mais afastados dos centros políticos e culturais não são afeitos a mudanças lingüísticas por pura coincidência; estes lugares em geral são pouco afeitos a qualquer tipo de mudança, especialmente as culturais. E, veja bem, isto é um outro parágrafo, portanto eu estou assumindo responsabilidade total a partir daqui. Tome muito cuidado, minha leitora, quando for para um lugar em que o r retroflexo come solto, e mantenha um pé atrás quando você encontrar alguém que bota a ponta da língua lá atrás pra falaR. Claro que há exceções, mas é caso de se ouvir aquele velho ditado: o pessimista é feliz duas vezes. Por mais que a cidade, ou a pessoa, pareça moderna, cool, hip, ou qualquer outro destes termos horríveis que existem para descrever as tendências dos nossos centros urbanos, o que paira atrás do véu é puro conseRvadorismo.

Eu não me surpreenderia nem um pouco - e até daria um sorriso de porco - se daqui a um ano, quem foi escolhida como ícone de tudo aquilo que é livre, de pessoa que faz o que se lhe dá nas idéias, encontrasse-se casada, barriguda, quieta e totalmente obediente ao marido a quem lhe entregou seu milionário prêmio, exatamente como fazem aquelas meninas dadeirinhas e beberronas de cidade pequena, que dão trabalho aos pais, para usar expressão que eu ouço muito no eixo São BeRnaRdo - Bom Jesus dos PeRdões - VaRgem Grande Paulista, mas tomam juízo depois que casam.

Esta postagem é dedicada à minha terrinha.

Bons motivos para se nunca deixar de comer carne

Os que conhecem o autor deste blog há algum tempo sabem que há coisas inequívocas a se dizer sobre ele. Poderia-se elencar uma lista infindável de características horríveis, entre as quais a gagueira, o ódio cego que se lhe acomete de tempo em tempo, sua pseudo-itelectualidade, sua boca suja, a vontade de humilhar o interlocutor, o talento para digressões irrecuperáveis, e a facilidade com que cai em modismos, cujas provas irrefutáveis são este blog e o fato de ter sido vegetariano por quase 8 anos - embora possa depor em seu favor o fato de que àquela época eles não eram assim tão abundantes. Mas enfim, de tudo que se pode dizer a meu respeito, não está na lista incluso o fato de que vez ou outra tenho arroubos de prestar um bom serviço a quem interessar possa. E, justamente com este fim, apresento agora um série de motivos que servem senão para, a quem segue ou deseja seguir o regime da abstinência de carne, demovê-lo de o fazer. Tivesse um bom amigo me lembrado de algum deles, talvez na história de minha vida ocorressem alguns capítulos mais aprazíveis.

Vamos começar com os falsos motivos: são aqueles que todo vegetariano cita, mas ninguém realmente adota uma nova dieta justamente por isto. Portanto, passaremos muito rapidamente por eles. Sempre que a destruição do meio ambiente, a substituição das florestas nativas pelos latifúndios pecuários, o poder da grande indústria em detrimento dos pequenos produtores, ou qualquer argumento semelhante ousar se imiscuir no discurso, prontamente devemos nos lembrar de que todas as grandes marcas têm também a sua linha vegetariana, de que pra suprir a nossa demanda de proteína muito mais soja teria que ser plantada, enfim, que nada no plano econômico realmente mudaria, a não ser a alta e a queda de determinadas ações na bolsa de valores. Toda esta bobajada pode ser resumida pela expressão "O tio que planta não é mais bonzinho que o tio que cria boi".

Quando alguém falar na morte e sofrimento dos animais indefesos, o mais indicado mesmo é mandar esta pessoa ao caralho. Entretanto, como alguns dos leitores preferem essas embates sem graça aos quais o politicamente correto dá o nome de debate limpo, então vale lembrar que a morte faz parte do ciclo da vida, bem como as cadeias alimentares, e que nós vivemos numa economia capitalista. Sofrimento demanda tempo, e mais eficiente é quem produz mais em menos tempo. O bife na sua mesa não sofreu porque eu estava na fila comprando o meu.

Enfim, vamos agora aos motivos reais. Existem dois tipos de seres humanos: os que merecem e os que não merecem comer carne. A verdade é: há o tipo fraco, pobre, e se este deixar de comer carne, pouco fará falta. O tipo fraco faz cara feia para todas as divinas possibilidades que o consumo de carne pode oferecer. Pergunte-lhe sobre as partes mais nobres, aquelas sobre as quais é necessário conquistar o direito à deglutição, e este tipo doentio enjoará, suas feições se tornarão pálidas como às de uma grávida durante uma viagem de navio. Conte-lhe que coelho, paca, tatu, tudo que é pequeno, aprazível ao olhar, e serve como veludo ao tato, também encaminha o paladar a níveis mais elevados, e chorará o ímpio. Ora, não há aqueles que, tal é o grau de sua doença, são incapazes de segurar o osso engordurado do frango, e perdem o duplo prazer de primeiro ter um verdadeiro contato com o alimento, segundo de sorver o molho da vitória dos próprios dedos (pode existir ato mais belo de narcisismo?)?

Por outro lado, é terrível quando o fraco convence o forte a se juntar em sua doença. Triste é constatar que toas aquelas línguas, testículos, rins, cérebros, orelhas, rãs, jacarés, lagartos, javalis, cobras perderam mais um raro admirador.